JAN/FEV de 2021

 

Presente, passado e futuro

Queridos irmãos,
Graça e paz!

Sentados ao redor da mesa com os nossos amigos refugiados sírios, enquanto saboreávamos um delicioso chá-preto, decidi fazer uma pergunta à nossa amiga Amira. Voltei o meu olhar para ela e perguntei:

“Você gostaria de, um dia, retornar à Síria?”

Antes que ela respondesse, decidi refazer a minha pergunta:

“Você não gostaria de rever o lugar onde você nasceu, cresceu e viveu a maior parte da sua vida?”

Amira respirou fundo, ajeitou o véu sobre a cabeça a fim de cobrir uma pontinha da franja, corrigiu a postura e, então, respondeu:

“Sim, eu gostaria de voltar à Síria. Na verdade, eu gostaria muito. Contudo, a guerra arruinou a minha cidade. Meus vizinhos, amigos e familiares que viviam em Raqqa (então capital do Estado Islâmico na Síria) foram mortos ou deslocados. Minha casa foi bombardeada. Todos os meus pertences e objetos que remontavam às minhas memórias de infância foram destruídos. Minha cidade está em ruínas. Portanto, o lugar onde cresci não existe mais. A guerra acabou com tudo.”

Ao ouvir o triste relato de Amira, fiquei ali refletindo sobre como a guerra é impiedosa. Além de produzir um grande número de mortos, mutilados (no corpo, na alma e no espírito) e deslocados, a guerra tem o poder de destruir o presente, comprometer o futuro e, ainda, apagar o passado de quem a ela sobrevive.

Infelizmente, Amira não está só. Em todo o mundo, há aproximadamente oitenta milhões de pessoas em semelhante situação. Surpreendentemente, uma parte considerável desses que se encontram deslocados de seus países de origem veio buscar refúgio aqui, em nossa nação de residência. Fora a quantidade de refugiados palestinos, que é maior que a do povo local (entre 60 a 70 por cento da população total), o país abriga ainda o segundo maior contingente de refugiados, per capita, do mundo.

Causa admiração que 83.2 por cento daqueles que ingressaram no país em situação de refúgio residam em áreas urbanas. A vida em um campo de refugiados é repleta de dificuldades. No entanto, em um contexto urbano, não é diferente. Pela falta de apoio consistente de organizações de ajuda humanitária, estamos aprendendo que, em certos aspectos, o refugiado se torna mais vulnerável quando reside fora do campo.

A partir de uma análise desse cenário, a nossa equipe de trabalho iniciou recentemente um projeto educacional infantil. O projeto visa a prover educação para crianças refugiadas de seis a dez anos de idade. O nosso alvo é dobrar o número de crianças a partir do próximo semestre. Para isso, estamos lançando uma campanha de adoção. Com uma contribuição mensal de R$280,00 é possível adotar uma criança, financiando os seus custos de educação. Para saberem mais, entrem em contato.

A situação da pandemia no país está bem mais controlada. Assim, retomamos todas as nossas atividades presenciais no centro de desenvolvimento cultural. Enquanto a esposa está participando do projeto educacional com as crianças, eu continuo trabalhando com os adultos. Estamos, ambos, atuando na área do ensino do inglês como língua estrangeira.

Sou grato a Deus por ter finalizado a minha monografia para a conclusão do COT (Curso de Orientação Transcultural), conforme requerido por uma das nossas organizações parceiras, a PMI (Povos Muçulmanos Internacional). O estudo representou uma experiência fascinante de aprendizado sobre a vida do povo Fur neste contexto. Também, gerou reflexão sobre como apresentar o evangelho a eles de forma relevante, a partir da obra que Cristo realizou (morte, sepultamento e ressurreição). Aqueles que desejarem conhecer melhor alguns dos desafios que cercam a vida dos refugiados neste contexto, deixem-nos saber. Teremos alegria em compartilhar o material com vocês.

Diante do calor intenso do último verão, suspeitamos que o inverno seguinte também seria rigoroso. Não deu outra, há poucos dias, uma nevasca transformou a paisagem em nossa cidade. Foram dois dias de neve intensa que cobriu tudo de branco. A nevasca passou, a vida foi retomada, mas continua fazendo bastante frio por aqui.

Pela graça do Senhor, no dia 15 de novembro do ano passado foi lançado oficialmente, nos EUA, o nosso livro mais recente sobre a crise migratória mundial. O livro se chama Changing Stories. Por enquanto, o livro está disponível apenas em inglês e pode ser adquirido por meio do site da editora (Wipf & Stock Publishers) ou da Amazon.

Por falar em publicação, temos a alegria de compartilhar com vocês que o nosso primogênito publicou o seu primeiro livro. A obra relata aventuras envolvendo piratas. O título do livro é Ao Mar: Uma aventura além dos sete mares. Em breve o material estará disponível também em português. Provavelmente, na próxima carta, iremos informá-los sobre como o livro pode ser adquirido.

Somos imensamente gratos por termos cada um de vocês caminhando conosco. O apoio de vocês, em nossa retaguarda, é um presente inestimável.

Um abraço com carinho e saudades!

Em Cristo,

Em Cristo,
 

Família Oliveira

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